
Quando se pensa em quadrinhos nacionais, a primeira coisa que nos vem à cabeça ou são revistas da Turma da Mônica ou quadrinhos de humor, como os trabalhos de cartunistas já consagrados como Laerte, Angeli ou Fernando Gonsales. Entretanto, existe muito mais no mundo dos quadrinhos brasileiros do que sonha nossa vã filosofia. Um é exemplo é o álbum Saino a Percurá, de Marcelo Eduardo Lelis de Oliveira, mais conhecido como Lelis, que estará participando da Riocomicon em novembro.
Lelis já foi ilustrador do jornal Estado de Minas e da Folha de São Paulo, já tendo participado de vários Salões de Humor e de quadrinhos pelo Brasil, ganhando também alguns prêmios. A segunda história de Saino a Percurá, "Neo Liberal", apareceu primeiramente na 3ª Bienal de Quadrinhos, em 1997, isso só para citar um exemplo.
Ele também participou de uma das histórias do especial Mauricio de Souza 50 anos, protagonizada pelo Chico Bento.
Com traços pouco convencionais, uma linguagem próxima da linguagem do povo e texto ritmado mesmo quando não há rimas, Saino a Percurá lembra muito as obras de literatura de cordel, especialmente a primeira história (que dá título ao álbum). Aliado a tudo isso, ainda temos nas histórias um fundo de crítica social deliciosamente sutil e ao mesmo tempo cáustica. Com todos esses elementos reunidos, não há como negar que estamos diante de uma obra-prima.
A história título é de um absurdo incrível: conta a historia de um desafortunado filho de um pato e uma galinha (?!), cujo possível destino certo seria a panela. Entretanto, contrariando essa premissa, ele acaba por surpreender a todos que o conheciam. A segunda história, a já citada "Neo Liberal", poderia também se chamar uma tragédia sertaneja ou "saindo do fogo para cair na frigideira", mostrando, de forma curta porém crítica, a ironia do destino de muitas mulheres do interior, cujas escolhas na vida (ou as escolhas que a vida faz para elas) acabam sempre por levar a um desfecho amargo.
Já a terceira história, "Mudernidades" (sem dúvida a melhor das três), é uma crítica sagaz à televisão, ou melhor: ao processo de zumbificação promovido pela TV, especialmente nos membros das camadas mais carentes da sociedade, que volta e meia vivem suas vidas mais pelo que acontece com os personagens de uma novela ou de um programa que por aquilo que ocorre em suas próprias vidas.
Saino a Percurá é um trabalho único e especial, caracterizando a vida no interior de forma genuína e sincera, embora carregada de crítica, mostrando-se uma obra verdadeiramente brasileira.

Beyond Wrong - Minha Primeira Participação!
Katchiannya encontra Jesus, o Elfo da Praça XD
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Katchy!!!!
ResponderExcluirQunto tempo!
Eu não fazia idéia da existência dessa 'obra prima', sabe aonde eu posso baixar (se eu realmente gostar eu compro, eu sempre faço isso).
E nossa, você entrevistou o zé do caixão!? mah god! Como ele é, ele é legal?
Tell me evrything!
Ah, e antes que eu me esqueça, come está a sua amiga que pediu doações para poder trabalhar no exterior, e tem o livro dela pra vender por aqui?
Mojojo, vou ficar te devendo onde tem para baixar. ^^
ResponderExcluirEu li uma versão que achei na biblioteca de onde eu trabalho.
Sobre o Zé do Caixão, o seu Mojica é uma pessoa sensacional. Fiquei mais fã dele depois da entrevista!
Não consegui ser profissional quando falei com ele, meu lado fangirl falou mais alto. :P Mas mesmo assim ele foi super-simpático.
Sobre a minha prima, ela conseguiu as doações e uma editora independente de Nova York se interessou pelo trabalho dela.
Ela me passando novidades, eu conto para vc.
Abração